Quando voce toma a decisao de sair do seu pais, junto com ela vem as perdas e os ganhos quanto a isso.
Tenho plena conviccao de que ganhei muito mais do que perdi, que sobrevivi sem tudo aquilo que achava essencial em minha vida, que tenho outras prioridades por agora e outros sonhos tambem.
Mas quando voce ve pela janelinha do aviao sua cidade, seu estado, seu pais, ficando tao pequeneninho, seu coracao fica do mesmo tamanho. Esse sentimento tomara conta de voce por algum tempo, mas depois ele da lugar a uma saudade inexplicavel, uma falta enorme do que se tinha, que doi mas que tambem passa.
Se voce fica muito tempo fora, percebe que quando volta a passeio, a vida por ali tambem passou, existem casas novas, vizinhos novos, criancas que acabaram de nascer e pessoas que acabaram de morrer. Mas nao so por isso tambem voce percebe que todos ali continuam sua vida sem voce, continuam sua historia sem voce.
Tem dias que voce nao entende a piada da vez, nao sabe sobre o que estao falando, ou de quem estao falando. Pq tudo isso, voce perdeu, voce nao estava presente, voce estava em outro lugar bem distante dali.
Eh dificil entender isso num certo momento, mas nao eh impossivel.
Um amigo fez uma observacao bastante interessante. Ele foi questionado o pq nao sai do pais, ja que ele tem um mega curriculo e por aqui nao existem oportunidades na sua area de atuacao, a resposta foi simples e objetiva:
Se eu sair, viver longos anos fora, deixar minha familia, meus amigos. Quando eu voltar, pra quem eu irei voltar?
Isso eh bom para se pensar.
Beijos e fiquem com Deus


5 comments
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15 15UTC Junho 15UTC 2008 às 23:08
Elaine
Eh a mais pura verdade… “voltar p/ quem?”
Eu moro fora do Brasil ha muito tempo. Nunca me senti verdadeiramente parte do pais aonde eu escolhi fazer minha vida. Eu olho p/ todo lado e nao tem nada “meu” aqui, minhas raizes sao somente superficiais. Nao existe a casa aonde passei minha infancia, nao existe o colegio aonde fiz o primario, nao existem meus amigos de escola, nem familia p/ visitar, nem avos p/ os meus filhos, nem primos, nem casa cheia e alegre na epoca do natal.
Por outro lado, tambem nao sou mais 100% brasileira. Ao visitar o Brasil ha pouco mais de 2 anos atras, percebi que mudei muito e que uma volta seria impossivel. Meus filhos lah nao teriam historia, nem raizes, nem lembrancas da infancia.
Nao me sinto nem aqui nem lah. Nao eh uma questao da lingua, nem de cultura. Eh uma sensacao de nao pertencer ha lugar nenhum. Quem fui nao voltarei a ser, e quem sou nao se encontra em lado nenhum do hemisferio.
16 16UTC Junho 16UTC 2008 às 13:57
kalita
eu admiro quem tem coragem, a decisão de ir pra longe, pode ser porque nunca cogitei ou não tive oportunidade.Más imagino como é dificil, más também como acrescenta, enfim escolhas nos proporciona perdas e ganhos.
Beijos e boa semana
18 18UTC Junho 18UTC 2008 às 8:56
Denise Neves Santos
O meu marido já escreveu sobre isso, o post está em: http://joaoccc.com/2006/10/18/o-reverso-da-saudade/
De fato, a vida das pessoas que gostamos continuam sem a gente. Nossos pais ficam mais velhos, nossos sobrinhos crescem… e a gente passa a ser aquela tia que mora longe… Mas em compensasao passamos a fazer parte da vida de outras pessoas, e isso é muito gostoso, principalmente quando trata-se de uma nova cultura que nos abraca!
18 18UTC Junho 18UTC 2008 às 14:41
barbrinha
Elaine,
Muito bonito o seu depoimento, eh exatamente isso que sinto. Mas a gente vai crescendo e vai vivendo neh? E acho que voce fez a escolha certa, em dar prioridade aos seus filhos, parabens!!!
Beijos
Kalita,
Nao eh facil nao, mas tem seu lado bom nisso tudo.
Beijos
Denise,
Isso eh a melhor parte. E ja passei la e dei uma olhadela no blog dele, gostei tbem, ja esta nos meus favoritos….
Beijos e fiquem com Deus
10 10UTC Outubro 10UTC 2008 às 8:21
Quesia
Me identifiquei com todos os comentarios e com seu post. As vezes lembro da minha infancia como algo tao distante e nao tenho nada a minha volta que tenha sido parte dela e como se tudo tivesse sido um sonho. Um sonho distante…