A viagem foi tranquila, a dor da saudade deu lugar a alegria das novidades.

Fizeram uma escala na Europa e ficaram curtindo as lojas e as comidas diferentes.

Mais um voo e chegaram no aeroporto.

Na saida do aviao Bia ja se sentiu literalmente nas Arabias. Nao, la nao tinha ninguem levando as pessoas ao saguao de camelo, nem voando em tapetes, eles usavam carros, onibus, tudo com a mais perfeita modernidade.

A vestimenta era sim muito diferente, homens de “camisola branca” como o pai de Hamudi custumava usar, alguns tinham o chapeuzinho do maquinho de Aladim, as mulheres inteiramente vestidas, de abeyas de tudo quanto eh cor e modelo, os hijabs sempre combinando. Algumas tinham desenhos de rena nas maos.

Passaram pela imigracao e foram pegar as malas, assim que saisse dali, Bia saberia que nao iria encontrar nada do que estava acostumada. Respirou fundo e seguiu o fluxo.

Os pais de Hamudi foram na frente, ela e Hamudi estavam logo atras, mas ela estava um pouco timida, e temerosa.

Ela ve o pai de Hamudi acenar a mao para um grupo de pessoas, que quase pularam de felicidade de ve-los. Bia sabia que algumas pessoas da familia viriam encontra-los no aeroporto, mas nao imaginou que fosse a cidade inteira.

Os pais de Hamudi foram logo engolidos pela massa, e o proximo a ser sugado foi Hamudi, que ainda tentava segurar as maos de Bia para que ela se sentisse segura.

Nessa hora Bia foi puxada por varias mulheres que soh sabiam beija-la, abraca-la, tocar em seus cabelos e falar muito rapidamente o arabe, coisa que ela nao dominava em nada. A sogra veio em seu socorro e mostrou a Bia que nao precisava ficar assustada, eram todos familiares. Apresentou uma por uma, e cada uma vinha e lascava um beijao. No final, Bia nao sabia mais no nome da primeira, ate pq nenhuma se chamava, Carla, Maria, Ana, Solange, etc…. Os nomes eram verdadeiros exercicios de consulta de fonoaudiologia.

Bia imaginou na hora o que Hamudi e sua familia sentiu quando via tanta gente junto no Brasil, seja nas festas ou em simples reunioes. No fim deu risada e ficou feliz com o “lilililili” que elas faziam com a boca e os estralhar de dedos, que significava o som de um casamento que estava chegando.

Foram para a casa de Hamudi, e a familia toda em comboio atras.

No caminho Bia olhava a rua, como se fosse uma crianca, as pessoas andando, as placas escritas em arabe, varios coqueiros pela rua, que Hamudi disse se tratar de tamaras. Carros de nomes diferentes do que ela estava acostumada, placas com numeros em arabe, a musica que tocava no carro tambem era local.

Nao tinha jeito, Bia nao conseguia acreditar que ela estava na Arabelandia!!!!

Beijos e fiquem com Deus